DIRETO DA PRAÇA

Recolha-se à sua insignificância

Por Paulo Pires

Por repetidas vezes tenho dito que não suporto injustiças. Minha implicância com a Direita brasileira, dentre outros aspectos, se dá pela rejeição que tenho aos seus métodos e visão de mundo. Detesto injustiça e acho que a famosa regra de ouro é fundamental para que haja entendimento entre os homens. A regra diz que não devemos querer para o outro aquilo que não queremos para nós. Não é boa essa regra? Eu a considero moral. Isso sim é moral. Não devemos ambicionar para o próximo aquilo que não desejamos que nos aconteça.

Essa pequena introdução pretende fazer uma rápida investida nos últimos acontecimentos e uma breve análise da arrogância geopolítica americana em relação ao restante do Planeta. No caso, não é só a política que será abordada, mas a própria posição da imprensa americana que se arroga ao direito de dar pitacos e sentenciar para o resto do mundo quem está errado, quem merece castigo e quais são os países que fazem parte do eixo do mal.

O The New York Times de hoje, 23/11/2009, em uma matéria com colorações tipicamente imperialista – como é do seu costume – diz que ao receber o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad o Brasil está passando da conta e sua [nossa] desenfreada ambição de nos tornarmos uma potência mundial está nos levando a exorbitar de nossas atribuições e competências.

O que o famoso jornal disse, em outras palavras, é que devemos nos recolher a nossa insignificância. Isso mesmo. Onde é que já se viu um “país nanico” como o nosso querer protagonizar um papel que só compete aos Americanos? Será que o Brasil não se enxerga? Ou será que está querendo se fazer de besta?

Não, não pode ser assim. O Brasil tem de ficar na sua, sempre submisso aos ditames dos Estados Unidos e estamos conversados. Devemos ficar atentos ao que dizem os filhos de Tio Sam. Estes sim, é que devem mandar no mundo. Quem se insurgir contra as regras americanas será automaticamente incluído no Índex (o livro que os yanques criaram para apontar quem presta e quem não presta no mundo).

Entendemos que o The New York Times defender a ideologia imperialista americana faz parte do jogo. O jornal de Nova Iorque tem mais é que defender suas bandeiras. Mas o que impressiona são os políticos Pés de Chinelo que temos por aqui. Com as caras mais lavadas do mundo, apareceram nas televisões defendendo a reprimenda [o sabão] que o jornal americano nos passou em relação à visita do presidente iraniano. Dá prá entender uma coisa dessas? Quer dizer que se amanhã um governante da Conchinchina quiser negociar e conhecer o Brasil, nosso País terá obrigatoriamente que fazer uma consulta a Washington. É certo isso?

Cadê nossa soberania? Ah, mas o The New York Times falou que nós estamos pisando na bola; Estamos exorbitando em nossas relações internacionais. Devagar com o andor. Esse negócio de receber ditador iraniano não é bom. Estamos jogando fora nossas possibilidades de ter uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. O Brasil está maluco?

Nossas emissoras de televisão – em uma inacreditável posição de subserviência informacional – abriram seus noticiários reclamando contra a recepção ao presidente iraniano. O homem é um demônio. É o capeta travestido de gente. Teria o Brasil o dever de ditar normas aos iranianos? E a soberania dos Povos?

A maior bronca dos jornais e paises ocidentais em relação ao senhor Ahmadinejad é porque o seu país está desenvolvendo um programa de energia nuclear que inclui até bomba atômica. Os Estados Unidos estão furiosos com os aiatolás. Há um paradoxo nisso aí: A América fêz sua bomba e a soltou sobre o Japão há sessenta e cinco anos. Eles podem tudo, os demais países não! Mas, como dizia Henfil: Deu no New York Times então é uma sentença, coisa divina. Eles acreditam e propalam para o resto do mundo que o senhor Ahmadinejad é um grande mal para a humanidade e meia dúzia de abestolados desinformados acreditam. Eles pensam que somos iguais a dona Honorina. Esta senhora foi a primeira brasileira que comeu o H. Escrevia, sem saber, o seu nome sem essa letra. Depois é que lhe informaram que o seu hotel e o seu nome tinham H. Ela não sabia...

A ausência e o pouco caso dos Estados Unidos em relação aos Tratados de Kyoto e Copenhague “tem” e “devem” que ser consideradas como atitudes absolutamente normais. A América pode emporcalhar o mundo do jeito que quiser. O New York Times nunca menciona os males que essas atitudes fazem ao Planeta. Nossa mídia e nossos políticos pés de chinelo aceitam que devemos elaborar nossa agenda, conforme determinado pelo New York Times. Quer saber? Só Deus para tomar conta do nosso País, da nossa mídia e dos nossos políticos subservientes.
Amigos
Esta é pra chatear Miriam Leitão, Alexandre Garcia e Renato Machado (porta vozes de nossa burguesia e defensores do infiinito colonialismo norte-americano na América Latina).
Quem aguenta tanta pilantragem?
Saudações
Paulo Pires

Carta ao BNB APOIO a CONSTRUÇÃO DO CENTRO CULTURAL...‏

Olá Pessoal :

Vejam, penso que é o momento de mantermo-nos unidos e articulados em torno de questões importantes e que dizem respeito à comunidade ARTÍSTICA E CULTURAL DE CONQUISTA... refiro-me a essa questão da construção do CENTRO CULTURAL BANCO DONORDESTE, (CCBNB), do qual, o município de Vitória da Conquista fôra escolhido pela direção do BNB para sediar este Equipamento Cultural. O fato, é que nas primeiras discussões sobre o local determinado para abrigar o complexo cultural, havia sido definido que seria na Praça da Bandeira onde está localizado o Teatro Carlos Jeovah, e que, por razões que extrapolam a nossa vontade ou ainda o poder da classe artística de resolver ... ou solucionar o problema dos AMBULANTES da Praça da Bandeira... mas enfim, isso cabe ao poder público municipal em negociar com aqueles comerciantes que alí se estabeleceram... e isso como sabemos não se resolve do dia para a noite... então, foi sondado um novo local para construção/instalação do CCBNB, bom... depois de tudo acertado, fechado.... etc, etc, terreno doado pelo poder público municipal... que será a Praça Sá Barreto em frente ao Colégio Diocesano e o Museu Pe. Palmeira, enfim, na chamada Praça do Clube Social... Agora fomos informados que existem alguns descontentes... que sabe-se lá DEUS por que MOTIVOS... estão interessado em EMBARGAR a a construção da OBRA do referido CCBNB... Olha Senhores, sincera e honestamente, fico a me perguntar???
Afinal o que querem esses homens ??? Fala-se em atraso e retrocesso, fala-se em falta de desenvolvimento, econômico, político, cultural e social... e quando surgem as oportunidades e elas são poucas e escassas é bom que se diga... e Vitória da Conquista, está na rota do crescimento por ser um grande entreposto rodoviário por ser uma espécie de Capital do Sudoeste da Bahia... Por já está consolidada como um Pólo Educacional, enfim, todos esses dados. Colocam a nossa cidade como de fato um local adequado para ser instalado este CCBNB... então, é muito simples, sugiro... que nos articulemos com todas as pessoas de BOM SENSO, SENSATEZ e especialmente, SENSIBILIDADE !!! Que parece-me está faltando a alguns setores e ou algumas pessoas... em nosso município, que não se sabe porque razões não querem o CCBNB, na Praça Sá Barreto em frente ao Clube Social... é o que verdadeiramente penso. Vamos a luta !!!

Atenciosamente,

Prof. Dirlêi A Bonfim
Coordenador do MAC –

Movimento Artístico e Cultural de Vitória da Conquista

CARTA DE APOIO
Centro Cultural Banco do Nordeste

Nós, artistas, produtores, representantes institucionais e demais participantes da área cultural da cidade de Vitória da Conquista, vimos através deste documento, abaixo assinado, manifestar o nosso apoio e reiterar a nossa opinião em favor da construção do Centro Cultural Banco do Nordeste, no terreno situado ao lado esquerdo da Praça Sá Barreto (em frente ao Colégio Diocesano), de propriedade e doado pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, para esta finalidade.

Vale ressaltar, que já foram realizadas diversas reuniões e apresentadas outras alternativas de localização para a construção deste importante empreendimento cultural em nossa cidade, sendo este último local, preferencialmente escolhido pelos representantes do Banco do Banco do Nordeste do Brasil, por apresentar aproximação a diversos bairros periféricos da cidade, carentes de equipamentos desta natureza, como também, pelo curto tempo necessário para a construção e entrega desta obra, dentro do cronograma estabelecido pela superintendência nacional desta importante empresa estatal.

Os Centros Culturais do BNB, construídos nas cidades de Fortaleza (CE), Juazeiro do Norte-Cariri (CE-PE) e Sousa (PB), tem se firmado no cenário cultural Nordestino como um espaço onde é permitido experimentar a diversidade de conceitos, estilos e suportes, oferecidos em sua programação. Ele oferece a seus visitantes uma variada programação diária e gratuita, enquanto dedica-se à formação, produção, fruição, circulação e acesso dos bens e serviços culturais.

Vitória da Conquista foi escolhida como a quarta cidade a receber este valoroso espaço cultural, por apresentar um grande diferencial, no desenvolvimento, produção, participação e política sócio-cultural, dentre diversas intenções apresentadas por outras cidades do Estado da Bahia.



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=======================================================From: Nagib Pereira Barroso <nagib.som@hotmail.com>Date: 17/11/2009 10:08Subject: FW: Carta_BNBTo: dirleibonfim@gmail.com, ricardo marques <admricardomarques@gmail.com>, fabio sena secom <fabiosena13@yahoo.com.br>
Povo atento! O bispo se acha no direito de tentar atrapalhar a vinda do CCBN pra conquista Conto com vcs ,afinal esse centro
Date: Fri, 13 Nov 2009 12:18:23 -0300Subject: Fwd: Carta_BNBFrom: gildelson@gmail.comTo: nagib.som@hotmail.com


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O buraco da democracia cultural


O buraco da democracia cultural


As Conferências de Cultura expõem de maneira impiedosa a fragilidade das metodologias de participação cultural, denunciando nossa precária democracia. Por outro lado, exercita nossa capacidade de organizar, participar, mobilizar, articular e definir os rumos da política cultural nacional. Novos métodos e tecnologias de diálogo precisam ser criados, pois os que existem são de tempos (ultra)passados.


Participar democraticamente da construção da agenda política nacional é algo tão distante da vida dos brasileiros, que se formaram e se desenvolveram como seres humanos, políticos, culturais, à sombra da ditadura, das elites, oligarquias e do Jardim Botânico, que simplesmente ficamos perplexos diante das novas possibilidades criadas a partir da presença indelével de um líder como Lula no poder.


Algumas reflexões sobre esse processo precisam ser feitas. A primeira delas é a construção da pauta. Esse processo precisa ser construído a partir de fóruns, redes, articulações e precisa ser descentralizado. Não dá para trabalharmos com pautas, por melhores que sejam (e o conteúdo da proposta do MinC é realmente bom), para não corrermos o risco constante do dirigismo.


As metodologias de eleição e validação de delegados e participantes dos processos decisórios é outro assunto de extrema importância. Ainda guardamos vícios do sindicalismo retrógrado e obsoleto, necessário e importante, mas que não pode ser aplicado às lutas culturais, sobretudo por não termos um tipo de organização que legitime uma representação por grupos de poder, ou mesmo de resistência. Não quero minimizar a importância desses grupos, mas também não posso deixar de alertar para o risco que corremos de sobrepor o interesse de minorias organizadas, que se ocupam de brechas do nosso frágil sistema representativo. Ou ainda de “líderes”, que ocupam as coordenações e secretarias que querem mostrar normalmente trabalho a qualquer custo, para o poder executivo local e ou regional, seja, através de assessores de prefeitos, governadores, algum serviço, e que repetem as velhas formas de se fazer política cultural, não há nada de novo, infelizmente, apenas, uma repetição de velhas formas e velhos erros... “tudo como dantes no quartel de abrantes”... triste realidade da cultural nacional, como sempre, discursos, discursos... e uma prática muito dispersa, muito, muito a desejar... em alguns casos completamente fora da realidade.


Não sei , se com aprovação da PEC-150 a proposta de Emenda a Constituição Federal se de fato, na prática, alguma coisa vai mudar, pelo simples fato de que o poder no Brasil ainda é exercido de forma cartorial... há uma pseuda democracia para "inglês vê", umas poucas discussões interessantes que fazem avançar o processo, no mais, uma repetição de fórmulas antiquadas, obsoletas e completamente inviáveis e inadequadas, um faz de conta de que agora as coisas vão funcionar...

Por último, quero apontar o risco da subordinação à agenda eleitoral. Sinto falta de uma construção e um diálogo permanente entre as instâncias de construção das políticas culturais. O Conselho Nacional de Política Cultural deve manter contato permanente com os delegados, por meio de instrumentos de conversação e rede e esses com todas as entidades culturais, as associações, as ongs, os artistas, enfim, todos as pessoas interessadas neste processo.


Há uma inversão completa nesse processo. O CNPC está subordinado ao gabinete do MinC quando deveria ser um conselho superior, escolhido e atuante a partir das demandas dos delegados, que por sua vez, deveriam surgir dos conselhos municipais e estaduais de cultura. Vejo que que há mesmo uma absoluta inversão de valores, e o que é pior, não vejo os representantes de entidades, ongs, instituições, associações de artistas em todos os lugares do Brasil, se manifestando a contento. Na prática pouco se muda, as transformações são ínfimas, quase imperceptíveis... Conferências de Cultura de faz de conta, as pessoas militantes da cultura são chamadas a participar de um processo de construção de Projetos de políticas públicas voltadas para a Cultura, mas, muito pouco se avança... infelizmente é a “política do faz de conta”.... uma repetição de erros de governos atuais na trilha de governos anteriores... apenas com uma nova roupagem, mas, as velhas práticas... muito discurso e muito pouca ação... sem falar no excesso de burocracia para se ter acesso aos recursos para viabilizar os Projetos, penso mesmo, que não há disposição verdadeira, para que esses recursos destinados a financiar a arte e a cultura sejam de fato liberados. E não se pode falar o que acontece, só denunciando o descalabro ou mesmo o descaso cometido pelos órgãos da administração pública em todos os níveis de poder, seja municipal, estadual e federal, infelizmente, esta é uma triste realidade, do comodismo latente que paira a sociedade brasileira.


Este abandono e descaso com o alinhavar das instâncias de participação e construção democrática formam buracos enormes, que se tornam intransponíveis à medida que o poder executivo trabalha para criá-los e ocupá-los. E todo o processo de construção das conferências corre o risco de tornar-se mero instrumento de manobra político-eleitoral, ou ainda de referendum daqueles que querem se perpetuar no poder.


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Leonardo Brant, Produtor Cultural, pesquisador e consultor de políticas culturais. Presidente da Brant Associados, autor do livro "O Poder da Cultura", entre outros. Documentarista, diretor de "Te Están Grabando”.

Prosa potética

Prosa Patética

Nunca fui de ter inveja, mas de uns tempos pra cá tenho tido.
As mãos dadas dos amantes tem me tirado o sono.
Ontem, desejei com toda força ser a moça do supermercado.
Aquela que fala do namorado com tanta ternura.
Mesmo das brigas ando tendo inveja.
Meu vizinho gritando com a mulher, na casa cheia de crianças,
Sempre querendo, querendo.
Me disseram que solidão é sina e é pra sempre.
Confesso que gosto do espaço que é ser sozinho.
Essa extensão, largura, páramo, planura, planície, região.
No entanto, a soma das horas acorda sempre a lembrança
Do hálito quente do outro. A voz, o viço.
Hoje andei como louca, quis gritar com a solidão,
Expulsar de mim essa Nossa Senhora ciumenta.
Madona sedenta de versos. Mas tive medo.
Medo de que ao sair levasse a imensidão onde me deito.
Ausência de espelhos que dissolve a falta, a fraqueza, a preguiça.
E me faz vento, pedra, desembocadura, abotoadura e silêncio.
Tive medo de perder o estado de verso e vácuo,
Onde tudo é grave e único. E me mantive quieta e muda.
E mais do que nunca tive inveja.
Invejei quem tem vida reta, quem não é poeta
Nem pensa essas coisas. Quem simplesmente ama e é amado.
E lê jornal domingo. Come pudim de leite e doce de abóbora.
A mulher que engravida porque gosta de criança.
Pra mim tudo encerra a gravidade prolixa das palavras: madrugada, mãe,
Ônibus, olhos, desabrocham em camadas de sentido,
E ressoam como gongos ou sinos de igreja em meus ouvidos.
Escorro entre palavras, como quem navega um barco sem remo.
Um fluxo de líquidos. Um côncavo silêncio.
Clarice diz que sua função é cuidar do mundo.
E eu, que não sou Clarice nem nada, fui mal forjada,
Não tenho bons modos nem berço.
Que escrevo num tempo onde tudo já foi falado, cantado, escrito.
O que o silêncio pode me dizer que já não tenha sido dito?
Eu, cuja única função é lavar palavra suja,
Neste fim de século sem certezas?
Eu quero que a solidão me esqueça.
VIVIANE MOSÉ


É capixaba e vive no Rio desde 1992. É psicóloga e psicanalista, especialista em “Elaboração e implementação de políticas públicas” pela Universidade Federal do Espírito Santo. Mestra e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autora do livro Stela do Patrocínio -Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, publicado pela Azougue Editorial e indicado ao prêmio Jabuti de 2002, na categoria psicologia e educação. Organizou, junto com Chaim Katz e Daniel Kupermam o livro Beleza, feiúra e psicanálise (Contracapa, 2004). Participou da coletânea de artigos filosóficos, Assim Falou Nietzsche (Sette Letras, UFOP, 1999). Publicou em 2005, sua tese de doutorado, Nietzsche e a grande política da linguagem, pela editora Civilização Brasileira. Escreveu e apresentou, em 2005 e 2006, o quadro Ser ou não ser, no Fantástico, onde trazia temas de filosofia para uma linguagem cotidiana.

Como poeta, publicou seu primeiro livro individual em Vitória, ES, Escritos, (Ímã e UFES, 1990). Publicou, no Rio, Toda Palavra, (1997), e Pensamento Chão ( 2001), ambos reeditados pela Record em 2006 e 2007. E Desato (Record, 2006). Participou em 1999 do livro Imagem Escrita (Graal, 1999), coletânea de artistas plásticos e poetas, em parceria com o artista plástico Daniel Senise. É autora dos textos poéticos da personagem Camila no filme Nome Próprio de Murilo Salles, (2008). Tem alguns de seus poemas musicados, é parceira da cantora Mart’nália em duas músicas, “Contradição” e “Você não me balança mais”, que foram gravadas por ela e por Emílio Santiago, em seu último disco.

Proibido som estridento de carro



Proibido som estridente de carro

Existe na resolução 204/06 do Contran (Conselho Nacional de Transito) uma norma que regulamenta a frequência de som produzido por equipamentos em veículos. Medido a meio metro de distancia, por exemplo, o som não pode jamais ultrapassar os 104 decibéis. Mas entre existir a lei e cumpri-la, aqui no nosso Brasil, há um grande abismo que vai desde o aspecto cultural até a falta de punição para aqueles que desobedecem a lei. Aqueles cidadãos, se é que podemos chamá-los assim, acorrentados a sua vaidade pessoal ou por carência afetiva, precisam mostrar ao mundo que tem algo valioso: o som do seu carro. E aí, quanto mais volume, mais eles “se acham”. OS REIS E RAINHAS DO RIDÍCULO...

É realmente uma grande falta de educação, desconhecimento e finalmente descumprimento de mais uma lei brasileira que só fica no papel. Para mim o insuportável mesmo é ter que ouvir tanta musica (será que é musica mesmo ?) de baixa qualidade, sem querer. Dá vontade de chegar para o cara (ou cidadão?) e dizer assim : Oh... IMBECIL dá para abaixar, ou desligar aí esse SEU SOM E SUA MÚSICA RIDÍCULA, eu não sou obrigado a compartilhar do seu mau gosto musical. Mas, já pensou ?... Isso dá até morte. Por conta disso só freqüento ambientes onde a gente pode conversar, bater papo e onde se lê numa placa: “Proibido som de carro”. Provavelmente nunca ouviremos : Heitor-Vila-Lobos, Egberto Gismontti, Bach, Vivaldi, Shoppin entre outros grandes mestres... nesse tipo de som... pois, quem tem educação, bom senso e sensatez vai ouvir MÚSICA com educação e não para afrontar os outros...

Além do mais ... MAU GOSTO NÃO SE DISCUTE... SE LAMENTA, portanto, MEUS PÊSAMES para essa gente com seu MAU GOSTO...

Pessoal por gentileza, LEIAM e DIVULGUEM ESTA MENSAGEM !!!
O BOM SENSO AGRADECE !!!

A dicotomia entre o ser x ter

A dicotomia entre o ser x ter
“ o homem é a medida de todas as coisas”... (Sócrates).*

Considerando-se as condições das sociedades de consumo dirigido, não se pode escapar dos promotores de tais sociedades, fato este, que nos integra num circuito elaborado a nossa revelia. A situação de dominação implícita nesse processo é evidente. O indivíduo desumaniza-se aos olhos de tais promotores e passa a ser visto como entidade econômica, consumidor potencial, cujo poder aquisitivo que o circunda permite-lhe possuir produtos aos quais se habitue e sem os quais não possa sobreviver, uma vez que está literalmente viciado no consumo de mercadorias que o dopam.
Com essa dopagem dilui-se o discernimento, a escolha e a faculdade do livre arbítrio; deste modo, a dominação do espírito humano pretendida pelo discurso-mercadoria serve à ordem dominante, seja ela de que natureza for.
Bombardeados a todo instante por apelos ao consumo, conseqüentemente, somos consumidos pelo desejo de consumir. Persuadidos, já não fazemos uso da faculdade da razão, nos deixando levar por meros anseios. Manipulada nossa vontade, concretizamos nossos sonhos em imagens que nos parecem tão verdadeiras!...
Possuir passa a ser sinônimo de alcançar a felicidade: artefatos e produtos proporcionam o bem-estar do homem, mas, não a felicidade, a felicidade implica em satisfação de outras necessidades, que extrapolam a dialética materialística, envolve outro estado de espírito que envolve necessariamente outros valores. Quais sejam, voltados à virtudes humanas, tais como : honestidade, sinceridade, solidariedade, generosidade, simplicidade, bondade, tranqüilidade, compreensão, amizade, justiça, lealdade, companheirismo... que são muito mais de cunho espiritual e que podem representar um outro tipo ou forma de bem estar e felicidade. Não somos capazes de vislumbrar que sem a auréola que a publicidade lhes confere, seriam apenas bens de consumo; mas mistificados, personalizados, adquirem atributos da condição humana.
Atingindo indivíduos de toda e qualquer classe social, através dos veículos de comunicação de massa, sérias conseqüências são caudadas em nosso modo de pensar e agir tornando-nos alienados, fora de nossa própria realidade, transformando indivíduos em não indivíduos, sem nenhuma consciência crítica, em simples massa de manobra, um batalhão de alienados.
Atuar com discernimento e solidariedade nas situações de consumo e de trabalho, cientes de nossos direitos e responsabilidades, identificando problemas e debatendo coletivamente possíveis soluções; deveriam ser propostas amplamente difundidas no intuito de mudar essa realidade que nos circunda. É preciso, pois, perceber essa situação. Consumir não é um mal em si mesmo. O mal está em sermos usados pelo consumismo. Antes que nos esqueçamos, de que somos gente e de que precisamos de saúde mais do que de dinheiro; de carinho mais do que de sucesso; e de amizade e compreensão muito mais do que de consumir; ou, então, nos perderemos em meio à ilusão de ter e nos esqueceremos de ser.


Portanto, “ a felicidade não está necessariamente no ter, mas no ser. Muitos têm tudo mas, não são felizes, tornam-se escravos daquilo que possuem e perdem as principais virtudes que todos devemos ter”.
“o sol não espera que lhe supliquem derramar a sua luz e o seu calor. Assim, faze o bem que puderes, sem aguardar que te implorem “.
O ser é a base. É onde ficam o país, o estado, a cidade, o bairro, a casa onde você nasceu, o tipo de família que lhe trouxe ao mundo, com raça, origem e categoria social e formou a sua educação, seja doméstica, formal pela escola, professores e colegas, informal ou social e no que o espelho e a sua consciência revelam e se aceita com ou sem questionamentos.
O ter é aquilo que se agregou a você, sejam bens materiais ou a bagagem cultural, intelectual ou científica desenvolvida, a partir dos valores que acredita positivos para a sua existência. O ter é o que você não tinha e acredita possuir, como se seu fosse ou seu é, sendo, mas, que você precisa aprender a discernir muito bem, o que é SER e o TER.
O problema é que, entre o ser e o ter, existe o parecer. Algumas pessoas querem parecer o que não são e o que não têm. É o mundo da aparência, do supérfluo em que uma camisa ou um vestido, por exemplo, é aceita não por sua qualidade intrínseca, mas por ostentar uma marca de alta significação para a imagem de quem usa. Um relógio, dando outro exemplo, deveria servir apenas para ler as horas, mas pode definir uma posição social de quem, diferencialmente, ostenta uma marca famosa. Falo em objetos para não trafegar na senda perigosa da essência, pois aí o terreno é movediço.
A sociedade e, por mais que não queiramos estamos nela envolvidos, cobra o ser, o ter e o parecer. O parecer é o reflexo, a imagem que os outros têm de nós, a partir de juízos de valor falsos ou verdadeiros. É aquilo que pode ser fabricado com “marketing pessoal”e o sair de casa, para mostrar-se ou ser visto, compensa o vazio de não poder ficar consigo mesmo e gostar disso. Algumas pessoas se acreditam ser o que os outros pensam ou dizem delas. Essas pessoas, certamente, ficam à cata do que se chama de validação.A validação é acreditar no que o outro diz para admitir-se ser aquilo. Não pesa, para o validado, a referência própria, aquilo que a sua essência profunda diz, mas o que lhe é soprado ou gritado em seu ouvido ou escrito a seu respeito.
Esse eterno questionamento entre o ser, o ter e o parecer passa, talvez necessariamente, pela maior ou menor capacidade de cada um se auto-avaliar e ver a auto-estima a partir da própria consciência. Mas, descubro ter começado um assunto que não cabe em crônica. Bem apropriado seria em ensaio ou tese para os quais, infelizmente, faltam-me engenho, densidade e tempo. Como disse Chamfort: “há tolices bem vestidas como há tolos bem vestidos”.
Não se pode negar, contudo, uma constante inversão de valores em nossa sociedade, que cada vez mais prima pelo individualismo egoísta, relegando a pessoa humana a um plano secundário, voltada mais para a produção de bens de consumo, os quais são produzidos a baixo custo, pela desvalorização do elemento humano no trabalho, e ofertados com intensa propaganda imbuída de ideologias de classes dominantes, levando a crer que o bem estar material é tudo o que se almeja e pode ser alcançado ao longo de uma existência.

**pesquisa realizada pelo Prof. Dirlêi A Bonfim, Prof. MSc. Benedito Generoso da Costa., Prof. Esp. João Soares Neto e Profa. MSc. Fac. Filosofia, Letras e Ciências Sociais/UFMG.*05/2005* Patrícia Ferreira Bianchini Borges.*



Deste modo, a sociedade se torna um conjunto de indivíduos justapostos uns ao lado dos outros, mas sem laços e compromissos recíprocos, cada qual objetivando suplantar o próximo para fazer valer seus interesses pessoais egoísticos, porquanto a mentalidade prevalecente é a de que o valor do indivíduo está no ter sempre mais e, assim sendo, urge vencer a qualquer preço, ainda que este custe uma vida humana. Numa sociedade forjada nesta mentalidade, o Estado acaba por ser instrumentalizado a favor das elites e passa a deter poderes para dispor da vida dos indefesos – Estado instituído para protegê-los – desde a criança ainda não nascida até ao frágil idoso, tudo em nome da modernidade e do progresso econômico e social, quando na verdade está cumprindo um papel subserviente a serviço de uns poucos privilegiados. Neste contexto, não é de estranhar que a vida humana passa a ter pouco valor, ou é considerada como mais um bem do qual se pode dispor a bel prazer, não passando de uma mera coisa negociável, que o indivíduo reivindica como sua propriedade exclusiva e que pode plenamente dominar e manipular à vontade. Por estar imerso num turbilhão de informações e de afirmações as mais extravagantes e contraditórias, o homem fica confuso, sem saber a quem dar ouvidos, e esta incerteza o torna não raro mero espectador dos fatos e, mais que isso, presa fácil dos manipuladores da consciência e conduta alheias, ignorando que em sua própria omissão é ele também o responsável por esse estado caótico.
Deste quadro turbulento, emerge um ser humano angustiado, sentindo-se impotente diante da situação com a qual se depara e não concorda, por ser contrária às suas aspirações vitais, mas que lhe parece lógica, já que não raro tem o respaldo do sistema legal vigente.
Num contexto social desta natureza entende-se perfeitamente, embora nada o justifique, o porquê, sendo a vida um bem de valor incalculável, sofre ela ameaças de toda sorte, e que acabam-se concretizando de várias formas, uma vez que o homem moderno muitas vezes se depara com situações dramáticas que o empurram para um dilema em que as escolhas se dão em prol de interesses imediatos e puramente materiais.
Sob esse enfoque, é compreensível, embora nada possa justificar, porque o valor da vida acaba em parte sendo ofuscado em nome de outros interesses de cunho duvidoso, tal como uma liberdade individual ilimitada e sem precedentes, desviando-se as atenções do fato de estar em jogo o direito à existência de um ser humano, idolatrando-se o ter sempre mais em detrimento da realização deste como pessoa.
Vislumbra-se na cultura democrática moderna a opinião amplamente generalizada, segundo a qual o ordenamento jurídico haveria de limitar-se a registrar e acolher as convicções pessoais e as convenções sociais, por mais esdrúxulas que sejam, reconhecendo que, dentre todos os direitos assegurados pelo sistema, também o direito de eliminar a vida imprestável aos interesses consumistas da sociedade deve ser reconhecido democraticamente pelo Estado.
Tudo isso, entretanto, costuma ocorrer dissimuladamente, aparentando o maior respeito pela legalidade, ao menos quando as leis legitimadoras dos atentados contra a vida são votadas segundo os princípios democráticos, como, aliás, é a praxe, porém tudo não passa de mera aparência de legitimidade, enquanto que o ideal democrático e o Estado de Direito vão sendo, aos poucos, solapados nas próprias bases.


Animador, entretanto, é constatar que diante das ousadas legislações permissivas à eliminação de vidas consideradas inúteis ou imprestáveis, surgiram no mundo todo movimentos e iniciativas de sensibilização social em prol da dignidade e respeito humanos que, agindo com firmeza e sem recorrer à violência, vêm despertando uma tomada de consciência com decisivo empenho em defesa da vida.
A vida é sempre um bem, o que se constata até intuitivamente como que um dado positivo da experiência, cuja razão profunda está na própria natureza do ser humano, fazendo-se mister uma profunda reflexão sobre esse direito superior, concomitantemente com um sério questionamento da atual mentalidade anti-vida, resultando numa nova e salutar tomada de consciência, individual e coletiva, capaz de recolocar a vida e o direito a ela inerente, num patamar inatingível por quaisquer formas de ameaças.
O nosso corre-corre não nos deixa parar para perceber se o que já temos já não é o suficiente para nossa vida.
Nos preocupamos tanto em TER.
Ter isso, ter aquilo, comprar isso, comprar aquilo
Os anos passam, e quando nos damos conta, esquecemos do mais importante :
Viver e ser feliz .
“ o meu coração me diz, fundamental é ser FELIZ ”. (G.Azevedo).
Às vezes, para ser feliz, não precisamos de tanto TER.
Podemos nos dar conta que o mais importante na vida é SER.
Esse ser, tão esquecido, muitas vezes não é difícil de se realizar.
As pessoas precisam parar de correr atrás do TER e começar a correr atrás do SER:
Ser amado,
Ser gente...
Tenho certeza de que, quando SOMOS, somos muito mais felizes do que quando TEMOS.
O SER leva uma vida toda para se conseguir, e o TER, muitas vezes conseguimos logo.
Só que o SER não acaba e nem se perde, mas o TER pode terminar inesperadamente.
O SER, uma vez conseguido, é eterno e o TER é passageiro e, mesmo que dure muito tempo, pode não trazer a FELICIDADE.
Tente SER e não TER e você sentirá uma felicidade sem preço!
Ser feliz!

Pesquisa realizada do Prof. Dirlêi A Bonfim, Prof. MSc. Benedito Generoso da Costa., Prof. Esp. João Soares Neto e Profa. MSc. Fac. Filosofia, Letras e Ciências Sociais/UFMG.*05/2005* Patrícia Ferreira Bianchini Borges.*

Conquista (s) de tantos anos




Amanhece a cidade
E o sol de tão quente vem azul
Meninos voam, são pássaros.
Que pousam na relva da manhã
O juiz desceu há tempo
E o taxista ansioso também
Abrem-se o comércio e os serviços
E as descobertas que céleres vem
Quem é quem na cidade
O gentio já sabe bem falta
resolver apenas a água
Pro consumo imediato de alguém
Uns sobem outros descem
Fluxo contínuo - trabalhar
Nessa mecânica do vai-e-vem
A gente se perde, tem hora.
De reconhecer o que há
De tanto movimentar
São diversas Conquistas agora
Todas dentro de uma só
Bem diferente de outrora
Quando era um cafundó
Bá Jurema, Zé Garanto
E o Alto do Migdônio
Todas as ruas estão juntas
Pro abraço do minuano
O vento frio da Granja e
o quente da rua central
São coriscos, trovões e raios
Que dissolvem como a água
derretendo sobre o sal
Sinhô discute com Zoinho
Se fulano sai deputado
Essa é a última chance
“Senão fica sem mandato”
Alameda Lima Guerra
Ronaldo Pinto da Cipreste
Paulo Cutú e Albano
Falando de chuva agreste
“Que cai no fim do ano
como só cai no nordeste”
Mais abaixo a Praça cheia
Discute o transe do próximo dia
Que será como o de antes
Sem nenhuma engenharia
Assim corre esta cidade
Antes Vila Imperial
De antanho João Gonçalves
Até Guilherme atual
Buscando lugar de honra
No Olimpo, torrão geral
Assim anda esta cidade
Longa marcha imperial
Triunfa no crescimento,
sua história natural.

Para o aniversário de Vitória da Conquista
em 09 de novembro de 2009.


Por Paulo Pires
Foto: Diogo Cardoso - Vista Panorâmica da cidade,
tendo em primeiro plano a Faculdade FAINOR.